sexta-feira

Modesta tentativa de minimizar o problema do Estado 3


"Absurdo! impossível de administrar com tanta gente mudando tudo o tempo todo! e quem são essas pessoas comuns pra falar como o doutor (ou o partido, ou o general, ou O cara) devem gastar o dinheiro deles?!" são contra-argumentos bem interessantes, eu admito. Mas são também exatamente a mesma coisa que foi dito sobre democracia no final do século xvii. E sobre incluir homens não-brancos no estado de direito. E sobre incluir mulheres no jogo democrático.
Democracia representativa é uma solução interessante para o problema técnico de como juntar a opinião de cada cidadão sobre determinado assunto público, e é uma solução muito boa para assuntos complicados como decidir o padrão da tv digital no país, ou qual modelo de avião militar comprar. Agora, decidir números é muito fácil. E não me venha com argumentos de que é necessário muito entendimento técnico das questões estruturais do país ou dos funcionamentos do governo. Olha o que como a classe política decide números no Brasil. Detalhe, o orçamento (de verdade, não só salário de vagabundo) de 2011 do governo ainda não foi votado.
A democratização dos gastos do dinheiro do IR seria também uma minimização na concentração de poder que o governo federal tem hoje no país. Desde os anos fhc a União vem acumulando a verba tributária, que passa a conta gotas aos estados e municípios, criando relações fisiológicas e politiqueiras que não tem nada a ver com o que o cidadão quer. O que o cidadão quer ver melhorado é a escola do seu bairro, é a coleta de lixo da sua rua. Nada mais justo do que o dinheiro que ele suou pra ganhar ser investido no que ele quer.
Outra vantagem de se ver o imposto por essa ótica da transparência e do respeito à democracia é renovar o debate sobre carga tributária no Brasil. Ninguém merece ouvir mais uma vez que o brasileiro trabalha 547 dias por ano só pra pagar imposto. Ou que se paga mais imposto no Brasil do que na Alemanha, Japão, EUA. Sim, e daí? Isso não significa nada.
O que significa alguma coisa é onde esse dinheiro vai parar e como ele vai ser gasto. E isso seria algo que administradores profissionais e talentosos deveriam fazer (devidamente guiados pelo interesse popular). Como ninguém vai eleger esses sujeitos angelicais, a alternativa é o interesse popular em si. Não o entendimento que partidos ou coronéis tem do que seja o "interesse popular", mas a vontade de cada indivíduo de ter a voz mais alta pelo menos no que diz respeito ao fruto de seu próprio suor.
A idéia poderia ser usada pelo menos como pesquisa de opinião. Afinal de contas, o que o brasileiro quer, em números? quem são as pessoas que se interessam o suficiente pra participar nesse tipo de política pública? Quão fascinante seria ter esses dados! Em qual polícia as pessoas botariam dinheiro? na PM, Civil ou federal? Quanto as forças armadas ganhariam? Alguém iria botar dinheiro em coisas abstratas e distantes como diplomacia ou infra-estrutura portuária? E no final das contas, são só (mais ou menos) 18% da carga tributária. Que luxo seria ter 18% de excesso de democracia, ao invéz das incontáveis somas de puro roubo e desperdício.

Modesta tentativa de minimizar o problema do Estado 2

A modesta tentativa de minimizar o problema do Estado causa reações estranhas nas pessoas. Por um lado, mostra a influência que o simples acesso popular ao funcionamento do governo pode ter nos tempos da internet; e por outro mostra o quanto ainda se tem medo de democracia. Mas me adianto, vamos por partes.

O problema de existir uma organização com poder de decisão sobre o funcionamento da vida das pessoas só existe porque essas mesmas pessoas financiam esse monstro. Em países "desenvolvidos" existe uma cobrança popular sobre o destino desse dinheiro, mas a prerrogativa continua a mesma: "vocês sujeitos bonitinhos de slogan bacana, tomem esse dinheiro e façam mais ou menos o que o jingle disse que vocês fariam".

A declaração de imposto de renda no Brasil já é mais de 95% eletrônica. Ainda existem parcelas significativas de excluídos digitais (que coincidentemente não precisam pagar IR), mas pelas próprias dinâmicas da tecnologia e do mercado isso deve diminuir rápido. Acesso a internet é mais parecido com acesso a televisão do que com acesso a saneamento básico. O barateamento da tecnologia, a miniaturização do maquinário e as possibilidades comerciais (tipo publicidade, comércio eletrônico, etc) forçam a expansão da rede, o que infelizmente não acontece com tratamento de esgoto.

O imposto de renda representa mais ou menos 18% da carga tributária no Brasil. Existem várias outras maneiras de financiar o Estado, mas o imposto de renda é uma das mais populares pelo mundo por uma série de motivos. Pois bem, imagine que cada contribuinte tivesse um mínimo de controle sobre os tostões que paga todo ano. Nada muito radical, não caberia ao cidadão propor políticas inéditas ou implementar novidades no governo, mas simplesmente apontar, com o próprio dedo, onde seus centavos seriam gastos.

A enorme complexidade da máquina pública impede que as pessoas fora do governo saibam detalhes das finanças de cada órgão (na verdade nem o presidente sabe de coisas na sala ao lado -ahem- tamanha a complicação). Mas isso é uma desculpa preguiçosa pra disfarçar a completa falta de profissionalismo na administração do governo. Todo órgão em tese tem uma administração com os números exatos de cada centavo que passa por lá (ou deveria). Do dinheiro pro cafézinho e do salário da faxineira. Subindo e agrupando orçamentos de pequenas estruturas até chegar em divisões maiores como a secretaria da escola, ou o setor geriátrico do hospital. Subindo em generalizaões até a secretaria de educação ou saúde do município, depois do estado, ate chegar ao MEC ou Ministerio da Saúde. No papel essa estrutura organizacional ficaria absurdamente intratável, mas informação estruturada hierarquicamente é algo que qualquer criança entende quando organizada no computador, mesmo nos tempos do DOS. (cd..), (dir), (quem lembra?)

A idéia é a seguinte:

Ao final da declaração do imposto de renda, de posse do valor que o governo vai acabar embolsando, o contribuinte poderia escolher onde seu dinheiro seria gasto. Pegando o seu dinheiro, dividido entre quantos "lugares" do governo o contribuinte quisesse, no nivel de especificidade que o contribuinte quisesse (e tivesse paciência para escolher). Por exemplo: Marivanda pega os R$ 1000,00 que pagou esse ano e coloca 100,00 na central de tratamento de esgoto do Itapoã, 200,00 no banco de horas extras da defensoria pública do fórum do Paranoá, 250,00 na Secretaria de Cultura do GDF e 450,00 no Ministério da Saúde.

Pense em uma interface bem simples, lúdica até. Assim que o contribuinte termina de preencher a declaração normal, aparece o número de dinheiros que o felizardo vai "doar" pra coisa (res) pública. Do lado desse dinheiro aparecem vários botões, cada um com um nome (bem genérico nesse primeiro nível) e um número. Os nomes são coisas como "Segurança", "Saúde", "Transporte", etc. O sujeito então clica em "Transporte" e aparecem outros botões ligados a esse, digamos "Rodoviário", "Aéroviário", "Hidroviário", etc. Nisso o camarada clica em "Rodoviário", daonde aparecem "Transporte Urbano", "Transporte Interestadual", "Pavimentação", etc; de "Transporte Urbano" derivam "Onibus", "Vans", "Bonde", etc; e de "Onibus" chega no extremo de poder escolher a linha que o onibus cobre.

E por aí vai, cada um sempre com um número, que o sujeito pode alterar até o limite do que estiver pagando em imposto. Se o leitor achou complicado a culpa é só da minha falta de talento explicativo, porque qualquer jogo de baralho é mais complicado que isso, inclusive o "paciência" que todo mundo que já ligou um computador conhece. E muito mais simples do que isso aqui.

O governo teria a alternativa pré-estabelecida (default) pra quem não tivesse paciência ou vontade de escolher onde seu dinheiro será alocado. E olha que interessante, mesmo sem o componente democrático da coisa, a capacidade do contribuinte normal de poder ver exatamente os gastos do governo de maneira unificada, intensificados por declarar exatamente onde o dinheiro do contribuinte individual (fator MEU bolso) seria gasto, já seria um avanço em prestação de contas em relação ao que se tem hoje. Na verdade, é o grande ideal de transparência do governo. Só faltava uma ocasião conveniente pro cidadão. Que hora melhor do que justamente quando ele ou ela está pagando pra ter um governo?

quarta-feira

Modesta tentativa de minimizar o problema do Estado 1


Leviatan e tal, necessário, externalidades economicas de toda atividade humana frente à escasses de recursos do mundo. Aparentemente vai ser sempre assim. Um indivíduo mais um minúsculo grupinho de comparsas tem muito mais poder sobre a vida das pessoas do que as próprias pessoas. Quando esse grupinho aparece na televisão de 4 em 4 anos e continua fazendo o que sempre fez, isso se chama democracia. Quando existe mais de um grupinho e eles variam quem escravisa o resto do povo de tempos em tempos, chama-se de alternância de poder, o que aparentemente faz a democracia ser uma coisa mais democrática ainda.

Quando um grupinho apela pros valores cristãos enraizados na cabeca do povo, isso ajuda bastante a disfarçar a tirania explícita do governo. O reino de deus, o paraiso na terra e a assistência social não tem só em comum a caridade com os necessitados, tem também a existência de um monstro todo poderoso que decide o bem e o mal, que separa o joio do trigo e os justos dos pecadores. Bem aventurados os que obedecem, mas não pense que voce vai mandar quando chegar no reino do senhor. Hierarquia tem a péssima tendencia de terminar sempre em uma só cabeça (fálica, diga-se de passagem).

Não me entenda mal, a possibilidade de escolher quem vai mandar nas pessoas de x em x tempos é um grande avanço sobre as alternativas tradicionais de deus ou os amigos da revolucao escolhendo quem rouba o suor do povo. Porque por mais que se escolham palvras bonitas, por mais que se apele pro espirito da irmandade universal, todo imposto é roubo. Dinheiro que vai ser gasto em algo que não foi decidido pelo infeliz que trabalhou por esse dinheiro, geralmente acompanhado de cadeia ou mais roubo em cima dos que não foram convencidos da nobreza dos saqueadores.

E se o leitor acha essa caracterização do governo e dos impostos muito burguesinha e de direita, lembre-se que os ricos so perdem um pouquinho de capital pro Estado. Já o trabalhador, por ter no aluguel do seu corpo a única maneira de gerar dinheiro, paga imposto usando tempo de trabalho, usando tempo de vida. Pra não ficar muito dramático, não pense em escravidão, pense em corvéia. Uma corvéia terceirizada, onde cada um é livre pra produzir dentro do que o Estado permitir, contanto que ele leve uma parte.

os outros 11

Ranulio era um sujeito discreto. Os últimos anos lhes foram generosos, perfeitos até, diriam mais tarde. O emprego na repartição era praticamente facultativo, não havia nada que sua chefe pudesse fazer. Em um fim de tarde a coitada aceitou tomar um chope, duas horas depois não se lembra se aceitou, mas o fato é que estava num motel com Ranulio, que não se fez de rogado e comeu-lhe o cú sem pedir autorização. Gentil, mas sem convite.
Desde então desenrolou-se aquela relação de submissão moral, onde por mais que Ranulio desdenhasse do emprego, Tercila não tinha como reclamar. Casada com o desembargador (chefe do seu chefe), não podia arriscar o escândalo. Não tinha sido uma noite qualquer, tinha dado o cú, inédito pro próprio pai de seus filhos, que incidentemente também era quem lhe empregava.
Ranulio tinha plena consciência disso, e na verdade -diriam os cínicos- já tinha tudo planejado de antemão. E de fato era a verdade. Cinco anos de cadeia ensinaram muito coisa, mas a autoridade que é conferida a quem come um cú foi de longe o que mais marcou Ranulio. O caso é que ele realmente nunca tinha tido a oportunidade ou interesse em ninguém que tomasse na bunda como algo natural. Não tinha culpa das próprias crênças, e viveu feliz sem fazer mal a mais ninguém até venerável idade.

Eu, Itararé

Uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando chata, igual tudo que é repetido mil vezes.

john lennon on benefits: quem é quem

O primeiro objetivo da emigração pelo menos já está sendo cumprido, estou roubando emprego de inglês. Não que só ingleses trabalhem na birosca, mas convenhamos, até no BNP eles devem ter emigrantes e descendentes trabalhando na secretaria, almoxarifado, sei lá.
***
A minha direita tem a única pessoa que eu verdadeiramente acredito que tenha ADD. Super gente fina e bem humorado, o camarada me pergunta se eu estou bem em média 25 vezes por dia (as vezes eu conto). Qualquer tentativa de conversa que envolva mais de 3 perguntas em um mesmo assunto é impossível. Pense em alguém rápido como um pivete de fliperama on crack, mas com a memória de curto prazo de alguém que não dorme a uma semana fumando maconha non stop. É isso. Nunca dê um emprego que envolva telefone e velocidade pra um desses.
Fato relevante: sua esposa (em casamento arranjado) chegou do Paquistão semana passada.
***
A minha esquerda tem Dorothy, inglesa nascida na Nigéria. Senhora fina em seus 40 e poucos anos. Odeia o trabalho muito mais que eu, e com motivos melhores também: até a crise estourar, ela era uma figura importante em um banco grande, que com a crise remanejou o departamento dela pra Índia, onde ela seria a chefe da porra toda. Mas com família em Londres e um ligeiro nojinho de todo o terceiro mundo que não a Nigéria, ela preferiu descolar o primeiro sub-emprego que apareceu.
Fato relevante: pra quem não sabe, os nigerianos são os trambiqueiros da Africa, e apesar de ser fluente em Yoruba, Dorothy conseguiu criar filhas evangelicamente caretas que (segundo ela) vão casar virgens e tudo mais (e que não sabem falar yoruba).

john lennon on benefits 3

E toda essa introdução da assistência social britânica não serve pra muita coisa que não contextualizar o leitor às prováveis linhas que se seguirão sobre o meu atual ganha-pão.
Você veja bem, essa dinheirama que o governo gasta com os pobres ingleses inevitavelmente começa a chamar a atenção do contribuinte. Esse dinheiro não está exatamente sendo usado pra acabar com a desnutrição crônica ou financiar tratamento de água pra bairros com esgoto a céu aberto. Essa grana é usada pra vagabundo viver na zona 1 de Londres, o que até antes da crise só perdia pro centro de Tóquio como metro quadrado mais caro do mundo.

****

O trampo tem um bando de gente bizarra. Na verdade chamar de bizarra é só uma tentativa de atribuir alguma característica saliente o suficiente pra emergir essa situação além do lodo da mediocridade, mas é uma tentativa que não vai muito longe. Um escritório cheio de gente medíocre, como todo escritório, eu suponho.

Em tese se trata de uma empresa que oferece cursos pra quem vive de dinheiro da assistência social. Teoricamente são cursos profissionalizantes, mas na verdade os "cursos" tem um caráter muito mais auto-ajuda do que qualquer outra coisa. Os nomes dos cursos ajudam a entender o nível da coisa. Os mais populares são "finding and getting a job", "doing an effective job search", "six weeks job search support". Os clientes das empresas são os "job centres", que são orgãos do governo que administram a mesada dos desempregados e tentam fazer os caras voltarem a trabalhar. Job centre, aliás, eh um nome tão Orwelliano que parece de sacanagem. Bom pra eles que se for pra generalizar a cultura geral da populacao inglesa, apenas um dos funcionarios do escritorio sabia o que era 1984. Não estou falando de ter lido, estou falando de saber que existe e que se trata de algo ligeiramente importante.



I be no gentleman at all

segunda-feira

antibrasília



some kind of happiness is measured out in miles. indeed

antibrasília


Londres é sensacional porque é o extremo oposto. Mesmo se você estiver na garçonagem rezando por um shift de 12 horas pra poder pagar o aquecimento no inverno (porque não teve trabalho ainda essa semana e sabe-lá-de-onde vai tirar dinheiro pro aluguel) existe um delírio coletivo de que alguma coisa super maneira vai aparecer na próxima esquina. Uma certeza sempre aquece o peito, pelo menos eu saí de Brasília.

antibrasília


Brasília não tem nada pra fazer. Por mais que você tenha dúzias de amigos de verdade. Por mais que você esteja por dentro de todas as festinhas. Por mais que você saiba de todos os sambas, os forrós e os shows mais legais. Mesmo que você beba e coma de graça em vernissagens pelo menos duas vezes por semana. Mesmo que você esteja por dentro de todos os esquemas da UnB, saiba de todos os agitos do Conic, seja da galera que movimenta o cinema, o teatro, quadrinhos e música. Por mais que você more no plano, tenha carro, seja concursado. Por mais que sua namorada seja linda e legal, ou que você esteja na crista da onda, cheio de gente querendo te pegar. Nada disso importa. Existe uma aura de tédio, de vazio, de que falta alguma coisa que nunca vai existir nessa cidade. Quem é de fora fala que é a praia. Outros que é o povo. Quem não conhece fala que são os políticos. Mas todo mundo concorda, mesmo os que adoram a cidade: Brasília é uma merda, não importa o quanto na verdade seja legal.

quarta-feira

facebook 1.1

Já mais de duas semanas se passaram desde que eu mandei a mensagem final (em particular, porque educação e finess são mais importantes do que poliglotismo no meu entendimento).
O digníssimo destinatário deve ser muito ocupado para responder.
Ou então, tem uma expressão que resume a resposta mais apropriada: VIXE!! MORAL!! YYYYIIIIIIIHHHHH!!!!!!!

facebook

Luciana SilvaresLUTO - nestas horas fico feliz por ter a Merkel!!!

  • 2 people like this.
    • Josiane Cordeiro Eu também! Esoero nao termos uma guerra civil! LUTO!
      31 October at 23:50 ·
    • Pedro Barahona ehehe, alemanha: pais exemplo de democracia fundado por colonos americanos em meados anos 40
      31 October at 23:59 ·
    • Ricardo Valente
      Luciana, wer ist Dein "Freund" hier oben der so eine gequirlte Kacke über Deutschland hier verbreitet. Es stimmt, dass die Amis die Wiederaufbau Deutschlands unterstützt haben, aber nicht aus Großzügigkeit sondern aus purem Interesse. Und w...ären nicht die Deutschen ein extrem fleißiges und hartarbeitentes Volk, wie sie eben sind, wäre Deutschland nicht eine der erfolgreicheste Nationen der Welt. Im moment sogar um einiges erfolgreicher als Amerika. Wo kommt der gute Mann her, dass er so eine unqualifizierte Meinung von sich gibt?See more
      01 November at 00:08 · · 2 peopleLoading...
    • Luciana Silvares Ricardão, tô no I-Phone não dá prá traduzir...se puder traduza! Pedro, viajou no comentário...a Alemanha é, há muitos anos, um examplo de democracia SIM! Sorry, mas hay de vivir aqui para ver!
      01 November at 00:24 · · 1 personLoading...
    • Pedro Barahona Kim Almanya buraya dağıtılmış hakkında bok burada sıçrattı böyle bir senin "arkadaş" dir. Bu Amerikalılar değil dışarı cömertlik ama saf faiz dışında, ancak Almanya'nın yeniden destek olduğu doğru. Ve w. .. ary değil, son derece çalışkan ve seviye olarak, Entes insanlar çalışkan, Almanya dünyanın en başarılı ülkelerinden biri değildi Almanlar. an bile çok daha fazla Amerika daha başarılı At. Burada kendisi böyle bir olumlu görüş olduğunu iyi adam nedir?
      01 November at 00:25 ·
    • Pedro Barahona porque portugues eh coisa de subdesenvolvido
      01 November at 00:27 ·
    • Amanda Jorgensen Barraco multilingue no facebook. Diversao a valer!
      01 November at 00:27 · · 1 personLoading...
    • Angela Borges aftasardemhemorroidasidem
      01 November at 00:37 · · 2 peopleLoading...
    • Luciana Silvares
      Total!
      Agora que aqui há democracia isso há. E de dar inveja a muitas outras republiquetas por aí!
      Aqui o extrangeiro que vive legalmente por 8 anos no país, se quiser pode até tirar o passaporte e votar para o Parlamento! Muitos países ass...im não há! Isso é bem democrático, eu diria!See more
      01 November at 00:42 · · 1 personLoading...
    • Andre Chieffi Lu, faz sentido. Parabens pela coerencia.
      01 November at 03:36 · · 1 personLoading...
    • Claudia Dannemann hehehe, adorei o barraco poliglota! Dilminha vai botar pra quebrar!
      01 November at 08:15 ·
    • Josiane Cordeiro ‎@Ri, fala verdade país que elege Tiririca e outras antas, só poderia dar falacao assim querido, tem gente que nao tem sentido do ridículo! E viva a hipocrisia!
      01 November at 09:30 ·
    • Ricardo Valente Pedro, trabalhei para Süleyman Demirel, na época primeiro ministro da Turquia. Visitei várias vezes esse país e aprendi o idioma o suficiente para conversas supérfluas. Para uma discussao sobre política, meus conhecimentos nao sao suficiente. Mas se você quiser, podemos discutir em qualquer um dos idiomas do centro europeu (alemao, francês, inglês, espanhol, italiano e até meu idioma materno: português). Um idioma falado por alguns à margem da Europa nao seria muito indicado para uma conversacao aqui.
      01 November at 09:59 · · 2 peopleLoading...
    • Josiane Cordeiro TE AMO RI!!!
      01 November at 10:01 · · 1 personLoading...
    • Claudia Dannemann ui!
      01 November at 10:13 · · 1 personLoading...
    • Luciana Silvares Ele so pos o teu texto no Google Translate, Ricardao! Don't worry!
      01 November at 10:16 · · 1 personLoading...
    • Ricardo Valente
      Lu, bem que percebi que algumas passagens nao faziam sentido... Comportamento estranho...
      Jô, te amo também. Tem visto os meus posts por aí? You know what I mean... ;-)
      Claudia, "ui" diz tudo! Depende da intonacao. :-) Qual tom você deu ao se...u "ui!"? :-)
      Adoro todas vocês!!!
      See more
      01 November at 10:24 ·
    • Claudia Dannemann repito: só estou me divertindo com o barraco, porque política eu nao discuto mesmo.
      01 November at 10:27 · · 1 personRicardo Valente likes this.
    • Josiane Cordeiro Ri, sei exatamente WHAT U MEAN...me conta se nao é patético?
      01 November at 10:27 · · 1 personLoading...
    • Ricardo Valente Adoro um barraco, Claudia! Faco quando necessário e gosto de ver outras pessoas fazendo. Nada como um barraco para desfazer um pouco o stress dentro de nós. ;-) Mas barraco com estilo!
      Jô, você tem razao! Em gênero, número e grau!
      01 November at 10:36 ·
    • Alexandre Pimenta Lima Acho que ninguem, de nenhum dos lados e de lado nenhum, gostou das campanhas. Mas a eleicao em si foi incontestavelmente limpa e democratica. Acredito que Dilma sera uma otima presidente para o Brasil.Espero que em 4 anos o Brasil esteja melhor que hoje, assim como hoje esta melhor que a 8 anos.
      01 November at 11:21 ·
    • Luciana Silvares Mesmo se ela for a pior ja sera a melhor, pois nunca tivemos umA presidente! Assim so tem a ganhar! Principalmente caixa 2!
      01 November at 11:43 · · 1 person
    Luciana Silvares

    Luciana Silvares ‎"Meus amigos adorados do FB! Já
    falei demais de política brasileira para os próximos 4 anos! Nao
    estarei postando nada mais sobre as eleicoes no Brasil! Que o meu país
    seja bem sucedido em tudo o que fizer! Agora me deixem em paz com esse
    tema e vamos falar de coisas fúteis, inúteis e engracadas para alegrar meu dia."

    See more01 November at 11:41
  • 4 people like this.

  • ****************************************

    Between Ricardo Valente and You
  • Pedro Barahona 01 November at 21:37
Paulo, aceito seu convite para discutir o assunto sim, e por que nao em portugues? Linguas servem pra comunicar ideias, e quando se tem algo que se quer que o outro entenda, usa-se uma lingua em comum. Honestamente nao entendi o que o idioma falado por alguns "as margens" da europa influencia em qualquer conversa que seja. Voce como poliglota que eh deveria saber que as linguas que alguem usa dizem muito pouco sobre os limites das suas ideias. O que talvez diga algo sobre alguem eh quando alguem diz algo sobre terceiros em sua "frente" em uma outra lingua, sabe-se la com que intencao, mas que com certeza nao era para travar dialogo ou trocar ideias.

Em relacao ao pouco que entendi do teu comentario (ix sprax nix doitx, heheh), seu desconforto com o que escrevi se deve basicamente ao fato de que o povo alemao eh muito trabalhador e nao dependeu dos eua para ser o que eh hoje (o que estava implicado na minha piada sobre a alemanha ser uma colonia americana criada nos anos 40). Essa eh uma maneira de entender minha piada, mas eu nao quis dizer de maneira alguma que os alemaes sao preguicosos. Muito pelo contrario, sua industria e tenacidade sao famosos e junto as benesses que trouxeram ao mundo, tambem custaram a humanidade milhoes de vidas ao longo do seculo xx.

Na verdade acho ligeiramente ridiculo atribuir caracteristicas como "preguica" ou "eficiencia" a todo um pais. Se tratam de milhoes de individuos tao variados quanto em qualquer lugar do mundo. O que mais importa na determinacao de como as pessoas em um pais vao agir sao suas instituicoes. E eh nesse sentido que a alemanha eh uma colonia fundada por americanos em meados do seculo xx. "Colonizacao" pode ser entendido como um processo que impoe a um povo as instituicoes do outro, e isso sempre acontece as custas das instituicoes que antes existiam no lugar colonizado. As tropas aliadas "colonizaram" a alemanha no sentido de que elas destruiram instituicoes que ali existiam, e que foram democraticamente escolhidas e exercitadas pelo povo alemao daquele tempo. Sem o esforco de guerra aliado nos anos 40, a alemanha nao seria a democracia que eh hoje. A despeito do dinheiro injetado, da protecao militar, da parceiria comercial preferencial como uma forma de conflito na guerra fria, a grande contribuicao que os eua, russia e inglaterra deram ao que hoje se chama de alemanha foi justamente destruir aquelas instituicoes, "colonizar" aquela cultura que era a alemanha ate os anos 40.

A piada soh tem graca quando dirigida a tao comum critica que ignora todo o processo historico que deu origem as instituicoes que hoje sao tao invejadas pelo terceiro mundo, e que lembra o quanto eh problematico pensar em termos essencialistas como "a alemanha eh assim", ou "o brasil eh assado". Brasileiros que se mudam e vivem na alemanha se tornam alemaes, alemaes que vivem por anos no brasil se abrasileirizam, o que importa sao as instituicoes que regem a vida das pessoas. E mudancas grandes na populacao inteira assim em paises com a dimensao do brasil levam tempo. 30 anos atras existia no brasil um regime bem longe do que se entende por democratico, mas por conta das suas proprias dinamicas internas o brasil mudou. Eh bom lembrar que as vezes as coisas demoram mais quando se aprende sozinho. Sabe deus la o que teria acontecido com a alemanha se tivesse sido deixada a propria sorte.

Perdao a falta de acentos. Mando essas linhas direto pra ti porque a Luciana (que eh um doce de pessoa de quem eu gosto muito) pediu para cessarem as discussoes politicas em seu facebook. Desde ja me desculpo por qualquer mal entendido.



Pedro

terça-feira

john lennon on benefits 2


Ainda assim, o custo da assistência social (194bi), do NHS (122bi) e da educação (89bi) somados são mais da metade do orçamento do governo. Pra se ter uma noção, a defesa só leva 40bi. Quem quiser ver as entranhas da coisa, está aqui. Aliás, falando em prestação de contas do governo, isso aqui é a coisa mais absurdamente primeiro mundo que eu já vi.

quinta-feira

inside london xii

O protesto de sábado foi grande. Ruas foram bloqueadas, incluindo a frente do parlamento e Trafalgar Square, vários policiais civilizadamente acompanharam a passeata. Dúzias de fotógrafos registraram a coisa toda. No entanto, nada na televisão nem nos grandes jornais.
Ontem milhares protestaram especificamente contra os cortes na educação (que vai triplicar o teto da anuidade que as universidades poderão cobrar). Em minoria, a polícia assegurou o parlamento, mas a turba se deslocou pra sede do partido conservador, que foi ligeiramente barbarizado por figuras mais exaltadas.
Além do aumento súbito nos preços da educação superior (que até os anos 90 era paga pelo governo, tendo sido mudada pelo parlamento trabalhista de Tony Blair), a coalizão que está no poder (partido conservador e o partido social-democrata) não é ajudada pela promessa eleitoral explícita feita pelo partido social-democrata de que não só não aumentaria os preços, como tentaria voltar ao sistema gratuito.
Por conta da destruição de propriedade privada o debate foi completamente desviado da questão dos cortes na educação para os "limites" dos protestos populares. O movimento estudantil (que aparentemente tem lideranças formais tão ineficientes quanto qualquer DCE da UnB) rapidamente condenou a violência. Só esqueceram de dizer que se não fosse por um pouquinho de destruição (14 levemente feridos, sendo 7 policiais -em meio a 50.000 protestantes), talvez ninguém que não estivesse lá saberia o que aconteceu.

sexta-feira

doxa 3

Menina burra, exemplo podre da cabeça fraca da elite paulista. Seu crime? ter acesso a internet e ser letrada o suficiente pra destilar suas opiniões retardadas em 140 caracteres. Mais um monte de idiotas (provavelmente paulistas da mesma elite) igualmente retardados e letrados o suficiente pra ecoar as idiotices da menina se juntam a coitada. Toda essa multidão, incapaz de fazer contas matemáticas e infeliz por ter visto seu candidato perder, usou seu sensacional poder de persuasão pra "incitar o ódio" em 140 caracteres. Conseguiram, mas um ódio diferente do que estavam esperando.
Existe outra turba de idiotas letrados o suficiente pra escrever 140 caracteres que se mostrou ávida em responder as idiotices dos idiotas paulistanos. Responder com argumentos, ofensas e quem diria, mais ódio. Não no mesmo tom, é bom lembrar (não sei de ninguém que escreveu que paulistas deveriam morrer, mas não duvido nada...). Mas o rancinho autoritário está lá, escondidinho, maqueado de politicamente correto. Aliás, politicamente correto é irmão siamês da censura, a base de toda burrice.

john lennon on benefits

A segunda metade do seculo xx na inglaterra viu a emergencia de uma serie de tentativas do Estado de melhorar a vida da população pobre da ilha. Em 1949 foi criado o NHS, o sistema universal de saúde publica ingles. Ao longo dos anos 40 se intensificaram várias iniciativas de moradias populares, imersas no ideario comunista politicamente falando e no modernismo em termos arquitetonicos. Dinheiro trasferido diretamente para familias que tivessem filhos (universalmente, sem distincao de renda) ilustravam a ideia de "beneficios universais", uma politica que era planejada pra combater a ideia de que servicos para os pobres acabam se tornando servicos pobres. Aposentadoria e seguro desemprego providos pelo Estado completavam a rede. Isso sem contar com todo o pessoal que o governo empregava com os servicoes publicos e parcelas subsidiadas da economia (como mineracao, industria pesada como manufatura de navios, forcas armadas, etc).

50 anos depois existe basicamente o mesmo modelo de assistencia social. Os milionarios ingleses recebem do governo o mesmo dinheiro por filho do que imigrantes que acabaram de se legalizar no pais. Familias vivem em monstruosos blocos habitacionais do governo a gerações por conta do contribuinte. E quando não há espaço suficiente nas acomodações erguidas pelo governo, o Estado paga o aluguel de alguma casa grande o suficiente (mesmo se for em um bairro grã-fino). Além dos impostos habitacionais (tipo IPTU) por conta. Existe o seguro desemprego (que pode durar para sempre) e outro com um nome muito legal, "jobseeker's allowance" (traduzindo vira "mesada de quem esta procurando emprego"). Além, claro, das aposentadorias por invalidez, tanto fisica quanto psicológica. Tudo isso em um cenário onde a educaçãoo (ate antes da faculdade) é gratuita, o mesmo pra saúde (o que inclue até os remédios).

As reformas neoliberais dos anos 80 da Tatcher desmontaram a parte pesada do Estado, como a mineração subsidiada e o monopólio do governo na telefonia, mas deixou intactos os serviços básicos e a rede assistencialista injetada direto no bolso dos beneficiados. Algumas lacunas deixadas pelo Estado foram preenchidas pela iniciativa privada (mas não todas, mineração e industria pesada praticamente desapareceram na ilha) justamente por responderem bem as pressões do mercado, mas o que fazer com uma crescente mão de obra destreinada e que ja consegue tudo o que precisa pela mão do governo?

Quando a economia inglesa voltou a bombar no final dos anos 90 a resposta veio do continente, (que é como se chama o "resto" da europa aqui na ilha) com a livre circulação de individuos dentro da união eurpéia. Não foi so de portugueses, gregos e irlandeses pra servir mesas e empilhar tijolos que o crescimento ingles se fez: gente de paises com educação de alto nivel subsidiada (como na frança, alemanha ou mesmo as natas de portugal, grecia e irlanda) vieram pra cargos altos. E quando o Acordo de Schengen chegou no leste europeu o processo so foi intensificado. É por isso que apesar de tantos empregos criados nos anos de bonanza de Tony Blair o desemprego total não mudou proporcionalmente ao crescimento economico. They took our jobs! (bem, na verdade they took the jobs we didn't have in the first place, mas acho que fica grande demais).


sábado

não 4

-Não.
-Ainda bem, deus me livre.
-Mas também depende.
-Depende?
-Depende.
-Depende de que? É sim ou não.
-Então não.
-Depende de que? Você não falou.
-Agora tanto faz. Você queria ouvir não, então não. Pronto.
-Queria ouvir? Da onde você tirou que eu queria ouvir?
-Eu perguntei depende, você falou que não, então é não.
-Tá bom então. Depende de que?
-Não, deixa quieto. Já foi.
-ah não. Agora fala. Depende de que?
-Não depende de porra nenhuma. Não. Viu? do jeito que você queria. É sim ou não? então não.
-Acabei de perguntar do que depende. Fala então.
-Não.
-Sério mesmo que você não vai falar?
-Sério mesmo. Não.

não 3

-Não.
-Nem eu.
-Claro que você não, não precisa nem falar.
-Que?
-É óbvio que você não tem nada a ver com isso.
-Óbvio? O que que tem de óbvio?
-Não sei, mas é óbvio. Óbvio é porque não precisa explicar. É óbvio que você não tem nada a ver com isso. Simples.
-Simples pra você, pra mim isso não existe. Como assim óbvio?
-Não sei explicar. É obvio e pronto porra. Fala sério.
-Fala sério você. Você que perguntou. Se era óbvio pra que perguntar?
-Sei lá. Vai que sim... de longe já dá pra ver que não, mas sei lá. E foi você que perguntou. Eu respondi. Você falou porque quis.
-Falei mesmo. Não.
-Óbvio.

não 2

-Não.
-Não mesmo? Logo você?
-Como assim logo eu?
-Você, ué. Toda essa pose, da a maior impressão.
-Até parece.
-To falando, todo mundo acha que sim.
-Tanto faz o que todo mundo acha.
-Mais ou menos né?
-Mais ou menos nada. Tanto faz sim. Eu falei que não, então é não.
-É, mas ainda parece, não adianta.
-Parece nada, você fala isso só pra me sacanear. Você que queria.
-Queria nada.
-ah, queria.
-Nem queria. Nunca quis. E nem parece que eu quero. Já você, tem a maior pinta.
-Mas já disse que não e pronto.
-Tá bom, não precisa ficar assim.
-ai, chega disso. Não e pronto.

não

-Não.
-Sério?
-Sério, nunca. E você?
-Também não. Uma vez quase, mas acabou não rolando.
-Então?
-Então o que?
-O que o que? Você sabe.
-Não sei, me fala, o que?
-Quer agora?
-Agora?
-Agora, porque não?
-Sei lá. Não sei. Acho que não.
-No duro que não?
-No duro. Desculpa.
-...eu meio que esperava. Tudo bem.
-Outro dia, não sei. Hoje não.
-Hoje não.

domingo

Eu, Itararé

Esquecer não é o problema, o problema é achar que lembra.

Eu, Itararé

Não pergunte o que a economia pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pela economia.

terça-feira

garçonagens 3



A garçonagem pode ser uma jornada edificante que te ensina o nome do dragão e transforma os pecados suínos dos antepassados.

domingo

da imprensa iv

O governo, por sua vez, reage ao movimento da grande mídia com as medidas típicas de qualquer aparelho de poder: ameaça o uso da censura e da ação direta. Da mesma maneira que a grande mídia sofre as consequências das suas práticas cristalizadas em uma situação social diferente, o Estado é o mesmo que tinha (e tem) uma série de mecanismos de repressão à liberdade de expressão mais "adequados" ao periodo ditatorial do Brasil.
Governo nenhum nunca é interessado em fiscalização e na livre circulação de idéias (incluindo os frutos podres dessa fiscalização), menos ainda em um país que ainda nutre tanta polarização ao redor de pessoas políticas, ao invés de práticas políticas. Fiscalização serve pra refinar práticas, mas no processo acaba derrubando pessoas.
O oligopólio midiático no Brasil serve pra justificar a idéia de uma verdadeira imprensa golpista, que mereceria o uso da coerção legal para se adequar aos "interesses sociais". O governo convenientemente nunca esclarece quem é esse tal de social e quais são seus interesses, porque obviamente isso não existe. Mesmo que o povo (eu e você e os habitantes do Paranoá) pudesse exercer algum controle sobre a mídia, isso teria de ser mediado de alguma forma institucional que julgasse os méritos de cada demanda do interesse social, e obvío que quem faria esse julgamento é o própio governo. Todo governante adora o povo que quer ele faça exatamente o que ele já queria fazer desde o início.
Mesmo ações com aparente mérito histórico (como o caso da ley de medios Argentina) e raciocínio econômico (como evitar monopólios que são ruins pra economia e pra democracia) são vítimas da suas raízes institucionais (repressivas) que não entendem que os meios de hoje (como a internet) possibilitam ações muito mais eficazes, que inclusive respeitem a liberdade de se opor ao governo (e a democracia, qual o problema disso também?).
Muito mais efetivo do que determinar por lei o tamanho ou o que pode dizer a grande mídia é dar condições estruturais para a desimportância dessas mesmas instituições. Isso já está acontecendo, graças a popularização da internet e do conteúdo gerado localmente. Blogues políticos já rivalizam jornais, reportagens da Globo e anúncios do governo federal são criticados feroz e instantaneamente em redes sociais. A medida que esses meios se disseminam mesmo para as camadas mais pobres do estrato social abre-se finalmente um caminho para a liberdade de imprensa. Isso sim é controle social.

da imprensa iii

As notícias mais gerais, globais ou abstratas (em sumo, a grande mídia) podem ser tratadas de uma infinitude de maneiras. Quer ler sobre a crise financeira? pode-se escolher entre um colunista que tenha uma visão keynisiana sobre a coisa, ou um ardente libertário de mercado, ou ler sobre o mesmo assunto em um panfleto marxista-stalinista. O assunto é tão desapegado do cotidiano da maioria das pessoas que fica difícil inventar algum critério que justifique escolher uma visão sobre a outra. O critério é o gosto de cada um.
E por que seria diferente? A notícia é um objeto de consumo como qualquer outro. Algum ingênuo poderia até dizer que a notícia serve pra informar sobre as coisas. Mas almoçar serve pra alimentar o sistema digestivo, e não é por isso que as pessoas escolhem sempre a refeição mais nutritiva: como tantos objeto de consumo, trata-se de uma questão de gosto. E as pessoas comem (quando podem) o que gostam, do mesmo jeito que procuram ler/ouvir/assistir o que gostam.
Por muito tempo no Brasil o acesso (em termos de poder aquisitivo) à mídia impressa foi restrito a uma camada da população que partilhava uma visão de mundo que pudesse justificar a bizarra situação de privilégio na qual a imensa maioria passava fome e uns poucos tinham dinheiro até pro jornal. Obviamente entre essa freguesia não iriam prosperar publicações dissoantes dessa visão de mundo (quem as compraria?), e como não havia mercado que não esse, a grande mídia hoje não passa da mesma velha coleção de publicações feitas para justificar que poucos tenham muito enquanto muitos tenham pouco.
Nos últimos anos a situação econômica e as práticas do governo federal tem começado a alterar esse quadro de desigualdade, e em particular o governo Lula foi altamente identificado com esse movimento, assumindo um discurso que não só propõe a mudança do quadro social de sempre, como também identifica explicitamente quem eram os defensores ideológicos daquela situação. Esse quase conflito direto levou a uma reação normal da grande mídia, que usa o que pode para minar a continuidade das práticas que a cada dia diminuem a sua importância, que criam espaço pra outras formas de ver a política e que quebram o seu monopólio sobre o mercado, não porque diminuem os consumidores, mas justamente porque aumentam (e não estão comprando jornal).

da imprensa ii

Não é acidente que a chamada "grande mídia" brasileira esteja em franca decadência comercial (e nunca tenha sido muito grande, pra começo de conversa). Um dos motivos pra essa queda é a idéia de que um veículo com peso nacional em políticas do governo é funcionalmente incompatível com um jornalismo que apele ao consumidor que não compartilha as idéias do editor. Em outras palavras, ou você fala sobre o totalitarismo latino e a mudança que a China causa no capitalismo ou você fala sobre a manifestação dos professores do Paranoá.
Não é uma questão de diferença de complexidade (até porque a grande mídia no Brasil consegue falar idiotices bem simplórias sobre economia mundial), mas de escala. O espaço/tempo/recursos para notícias locais (em jornal, rádio ou tv) compete com as notícias nacionais ou globais, e quanto mais ênfase nos aspectos locais, menor o interesse do consumidor distante, daquele que não tem grandes interesses naquela comunidade específica. Mesmo se todo cidadão que habita o Paranoá comprasse o Diario Paranoaense, e mais o dobro disso no resto do país, a tiragem ainda assim não teria a penetração que a grande mídia tem hoje.
As notícias nacionais, por sua própria natureza, não podem se aprofundar na concretude do cotidiano (do Paranoá) sempre. Uma ou outra reportagem pode usar essa comunidade como exemplo de uma questão mais geral (como o ensino público no Brasil), mas se assim fosse sempre, não só o resto do país não se interessaria tanto, mas a própria idéia de que se trata de algo importante nacionalmente seria posta em questão.
Essa dinâmica da reportagem nacional traz o agravante de que para a notícia ter relevância nacional ela pode ou 1. ser uma questão que assola uma parcela considerável da população inteira ou 2. ter a importância para afetar essa mesma população. O tamanho do Brasil deixa muito difícil apurar qualquer que seja o assunto em termos nacionais a tempo de se produzir conteúdo com a frequência (e em tempo real) que um jornal, tv ou rádio precisam. A única alternativa é reportar o que se considera importante o suficiente, sendo impossível outra justificativa que não o julgamento de alguém que decidiu essa importância.
Esse filtro ideológico no que a grande mídia vai reportar é complementado ainda por como a reportagem vai ser abordada, mas mesmo que não fosse, o estrago já estaria feito. Mesmo se a corrupção na receita federal fosse abordada de todos os ângulos possíveis, a escolha em abordar esse assunto (e não a educação no Paranoá) já revela um filtro que elimina o que é mais útil na idéia de um veículo de notícias, que é informar o consumidor sobre os assuntos que o afetam no dia-a-dia.
A objeção de que (por exemplo) e receita federal na verdade tem uma série de conexões que acabam resultando em algo que influencie a escola no Paranoá é pífia: tudo está conectado a tudo, qualquer um consegue pensar em notícias do outro lado do mundo que acabem influenciando os professores do Paranoá, mas porque se dar ao trabalho disso tudo se o jornal pode simplesmente falar sobre a escola em si? E como ele não fala, não é surpresa que o cidadão não se importe muito com o que o jornal veicula.

da imprensa

Vez em quando leio sobre "controle social da mídia". Geralmente isso vem acompanhado de um entendimento de que existe um oligopólio nos grandes produtores de notícias (imprensa impressa, em rádio e tv) no mundo e em especial na America Latina. No Brasil isso é um problema óbvio, em primeiro lugar porque meia dúzia de jornais e revistas e um canal de tv são ridiculamente pouco diversos frente ao tamanho e diversidade social e regional do país. Em segundo lugar, essas instituições tem o péssimo hábito de ser homogêneas em sua visão de mundo.
Esses dois problemas (porque são problemas gravíssimos, em última análise porque são caricaturas economicas do que um mercado de 200 milhões de habitantes poderiam estar consumindo e os empregos e riqueza que isso constituiria) nunca incomodaram tanto quanto agora, não porque o país tem um governo com certas práticas contrárias a visão de mundo desse oligopólio, mas porque essas práticas são o que finalmente está fazendo a massa de miseráveis brasileiros finalmente ascender da condição absurda a que foram submetidos desde os tempos da colônia.
Se fosse o contrário, digamos: se no Brasil a mídia fosse descaradamente a favor do aumento do Estado e da redistribuição de renda, e se isso tivesse sido o lugar comum na política brasileira sempre; e de repente um governo de direita com ênfase na propriedade privada e no Estado mínimo finalmente diminuisse a pobreza, o dilema seria o mesmo: o flagrante descompasso entre a visão de mundo da imprensa e as práticas realmente úteis para o povo.

os melhores livros jamais escritos! 7.1


Guia compreensivo da geografia das grandes cidades européias, vol.2
O segundo volume da clássica série retorna, dessa vez com ênfase no leste do semi-continente.
Fotos ilustram cicatrizes arquitetônicas deixadas pelo imperialismo russo (também conhecido por comunismo por quem não é do leste europeu).
Acima uma tentativa de sovietizar (ou fazer parecer com o Cruzeiro, pra quem é de Brasília) as redondezas da Basílica em Budapeste.

os melhores livros jamais escritos! 7

Guia compreensivo da geografia das grandes cidades européias.
Berlim é a maior cidade turca do mundo. Londres é a nova Jerusalem. E todo italiano do norte sabe que a Africa começa em Roma.

inside london xi

Fim de semana cheio de coisas pra fazer por aqui. Visita do membro da juventude nazista mais famoso do mundo. Ironicamente também é o Yom Kippur, o dia em que moises ganhou as tabas do arbusto pegando fogo (o que dizendo dessa forma realmente sôa muito maconheiro), embora mais importante que isso (demograficamente) foi o fim do Ramadan sexta passada.
...
Com todas essas sensacionais manifestações de tudo o que existe de errado no ocidente é claro que eu só saí de casa pra ir no festival de cultura japonesa.



onde pude ver sensacionais demonstrações de karate!


karaoke!


e cosplay!

Além de muito rango típico barato (evidentemente servido por chineses, porque eu nunca conheci nenhum japonês na garçonagem londrina, uma vez conheci um doidão em asterdan que foi deportado de israel e disse que trabalhava na lavoura, mas acho que isso não conta).
Tudo isso devidamente acompanhado por uma bróder japonesa (que estava reclamando que não tinha nenhum japonês de verdade vendendo comida), que fez o favor de confirmar que os caras no karaoke estavam mandando mal. Eu não sabia se eles eram ruins mesmo, ou se pior ainda, estavam cantando direitinho. J-pop é lixo, caso o leitor não saiba.

dos rótulos 2



As palavras podem ser usadas de modo a comunicar alguma coisa, verdadeira ou não. Umberto Eco, tentando uma definição do que seria a semiótica, disse que era uma tentativa de estudar qualquer coisa que pudesse ser usada para mentir. O signo (que pra evitar complicações aqui significa simplesmente): algo que está para alguma outra coisa, que re-presenta algo (ou apresenta de novo, na ausência da coisa primeira -da coisa em si).
Essa definição (que nada mais é do que uma tentativa de explicitar o que intuitivamente todo mundo pensa) tem uma implicação banal que as vezes choca as mentes educadas demais: se existe representação é porque ela faz referência a algo que não é representação, a algo que a despeito de qualquer mecanismo significativo (linguagem, arte, ideologia, etc) existe independentemente da percepção, existe em si (e isso é um jeito extremamente infeliz -porque complicado- de dizer o que todo mundo sabe, que existe uma distinção entre o que é verdadeiro e o que é falso no mundo).
A visão oposta a essa, que defende a impossibilidade de afirmar a distinção entre orações verdadeiras ou falsas, é uma idéia verbalizada (porque ninguém nunca vive as consequências práticas do que essa visão implicaria) por um tipo específico de sofista que é particularmente hábil na incapacidade de ser claro quando fala.
Estratagema clássica dessa incapacidade de ser claro é quando algum gênio escreve que "não existe verdade". Bonito né? Profundo que só a porra. Uma pena que não passa de um erro de linguagem (uma oração sintaticamente correta com a semântica sem sentido). Pense no exemplo bem parecido "não existe altura".
O que é a altura? Onde está a altura? Alguém já viu a altura? Quem são os ingênuos (quase religiosos, diriam os hiperbólicos) que ainda se apegam a falar sobre "pessoas mais altas do que outras", ou montanhas "altas"? Eles não sabem que altura é um conceito superado pela engenhosidade artística das quebras do ideal positivista do século XIX? Você considera alguém com 1,80 de altura alto e eu não (porque pra mim alto tem que ter 2,12), viu? a nossa discordância em um critério único de "quem é alto" é prova da arbitrariedade e consequente inexistência da idéia de "pessoa alta".
Claro, o iluminado nunca vai dar exemplos claros que mostrem a obviedade do erro de negar a existência de um adjetivo (porque é isso, e nada mais do que isso, que "verdade" significa -igualzinho altura). Pode-se discordar a vontade do que se chamaria de "pessoa alta", no entanto alguém que tem 2,12 é sem dúvida mais "alto" do que outro com 1,80. A idéia de que eu estou escrevendo isso em um computador em casa pode bem ser uma mentira, mas é indubitavelmente mais plausível (que obedece condições para ser verdadeiro) do que uma série de alternativas, como 1.eu psicografei esse texto (que no entanto é mais plausível do que); 2.eu psicografei esse texto recebendo um espírito iluminado de um anjo marciano que veio avisar do ragnarok em 2012.
Lógico que não existe a Verdade, do mesmo modo que não existe a Altura. Existem frases verdadeiras em oposição a falsas. E nada melhor do que a facilidade com que todo mundo duvida das mentiras pra se lembrar disso.
O quadro acima se chama "o tempo salvando a verdade da mentira e da inveja" completado um dia antes do suicidio do seu autor, o pintor François Lemoyne (1688 – 4 julho de 1737). O quadro pode ser visto igualzinho o sofista gosta, a verdade como uma galega que sempre precisa que alguém a resgate, ou como um lembrete aos que prestam atenção na história e sabem que os critérios pra diferenciar verdades e mentiras tem uma relação estreita com o tempo, e que sem eles não existe história.