terça-feira

abençoados os que estudaram na unb, porque...

MEU DEUS, EXISTE POLITICAGEM NA UNIVERSIDADE!!! QUE ABSURDO IMPENSÁVEL!!! QUER DIZER QUE AQUELES CANUDOS QUE ELES DÃO TODO O SEMESTRE NÃO SÃO AS MARCAS INDISCUTÍVEIS DA SUPERIORIDADE MORAL E INTELECTUAL DA ELITE BRASILEIRA?! ALGUÉM DEVOLVA MEUS IMPOSTOS! Ó,VEJA, O QUE FARÍAMOS SEM TI?
Sério mesmo, mas que belo exemplo de sensacionalismo barato. A UnB é um buraco zoado desde a ditadura, adivinha por quê? Porque o ensino de modo geral no Brasil é um buraco zoado. Aparentemente, rolou um apogeu iluminista até antes de 1964 no DF, mas quem entende dessas coisas é o Pedro, e como se trata de história do Brasil, evidentemente que ninguém se lembra nem divulga nada a respeito. Pelo que eu entendo das tretas universitárias (e entendo basicamente das que eu estava lá participando e queimando meu já chamuscado filme na graduação), você não precisa de filiação partidária pra causar estrago na universidade, embora isso definitivamente ajude.
Sem contar no mal gosto que é comparar a opinião de professores (que podem ter toda a razão do mundo) sobre as ingerências e incompetências de hoje em dia com as tragédias da ditadura militar. Não que a veja seja o bastião do jornalismo sério, mas mesmo com a óbvia pauta que a revista segue, igualar partidarismos ideológicos com assassinatos políticos ofende a dignidade não só das vítimas, mas também a de quem está reclamando da UnB de hoje. Afinal de contas, não é possível que esses acadêmicos estejam realmente querendo dizer que a falta de profissionalismo do atual reitor seja equivalente à tortura que foi infligida aos seus precursores.
Mais interessante seria comparar os números de artigos e livros publicados, o fator de impacto que a produção acadêmica tem, a influência dos projetos de extensão na comunidade, e comparar isso com as outras federais do país. Aí sim existiria um começo de margem pra uma avaliação decente da (suposta) decadência da UnB. Do jeito que está a coisa, a reportagem parece mais uma maneira de valorizar a autoestima dos eternos infelizes que todo ano são obrigados a pagar uma fortuna por faculdades particulares que conseguem ser (a despeito da ordem e infraestrutura de primeiro mundo) nada mais do que piadas frente à promiscuidade narcotizada que estuda numa federal. Mas claro, a veja não tem que apurar fatos ou fazer análises da realidade, tem que agradar seus leitores, logo...

sábado

vadias 2

E eis que surge, das entranhas despolitizadas dos anos 10, um "movimento" de universitári@s (e simpatizantes) que marcham indignados. Caminham pelas calçadas explicitando sua desaprovação com a detestavel insistência de tentar associar vestuário com sexo sem consentimento.
Não que exista a necessidade de alguma mudança legislativa, uma vez que as roupas da vitima não são consideradas circunstâncias atenuantes na lei escrita (ao menos no Brasil e nos paises civilizados, principalmente os abençoados com a despresença do islã). A lei escrita, no entanto, não muda o fato de que vários indivíduos continuem acreditando na idéia bizarra de que minissaias e decotes causam impulsos sexuais violentos em seres humanos armados com um pênis.
E quando esses indivíduos (não exatamente os mais brilhantes exemplares da intelectualidade humana) ocupam posições-chave nas instituições que lidam com o estupro diretamente (na polícia, nos tribunais, os médicos, os psicólogos, etc) e indiretamente (os legisladores, os líderes religiosos, os professores, etc), o meme da responsabilização da vítima pode causar o estrago que deveria ser o grande motivo de protesto.
Eu digo "deveria" porque as vezes toda a "comoção" gerada pelo "movimento" (de universitári@s caminhando pelas calçadas) passa a impressão de ter como principal mensagem algo como "não queremos mais estupro" e "mulheres podem se vestir do jeito que bem entender", que somados dão a (um pouco mais sofisticada, mas ainda assim bem óbvia) "a maneira como a mulher se veste não deveria ser usada para justificar o estupro".
Eu não sei se o leitor está seguindo o raciocínio, mas pelo menos no meu humilde entendimento, caminhadas temáticas e gigabytes de escritos em redes sociais clamando o óbvio, que de tão óbvio já é inclusive codificado na lei a décadas, é de uma irrelevância impressionante, até mesmo pros padrões de despolitização dos anos 10.

vadias

Existe certo desespero (e existe mesmo, vi com meus próprios olhos) no ser humano que enxerga moralidade na maneira que uma mulher decide mostrar suas próprias carnes. Outros preferem projetar sua própria solidão nas coxas que a menina escolheu (porque se achou bonita) revelar na noitada. A volúpia dos infelizes tem o trágico destino de não ser contagiante. Objetos sexuais têm (alguns diriam que por definição) o péssimo hábito de não responder reciprocamente à angústia (disfarçada de tesão) dos olhares aguados dos bandos de homens sozinhos.
De onde será que veio tanto desentendimento? Me vêm a cabeça a burrice somada a péssimas mães, mas nada que não possa ser adequadamente entendido dentro da máxima de que o mau gosto e a falta de educação ainda vão causar o fim da civilização.

segunda-feira

os outros

E na trepada de despedida fez questão de passar o grosso do tempo lhe dando uma boa chupada. Uma semana longe dela, e mais importante que isso, dela longe dele. Dessa vez não era visita familiar nem viagem a trabalho, era uma semana de agito com a amiguinha que não escondia que gostava dela. E por isso mesmo a bela chupada de despedida: se sentia como o cowboy no final do filme que ao ver o vilão desarmado a seus pés, dispensa seu revólver pra mostrar em igualdade de condições quem é o melhor. Se sentiu macho pra caralho.

quarta-feira

os outros

-Mas pelo menos me diz, o que ela tem que eu não tenho?
-Mas que saco, por que você continua insistindo nisso, já falei que não tem nada a ver
-Fala porra, responde a minha pergunta
-Beleza então. A diferença é que você eu já comi.
-Caralho, mas que romântico, hein, seu escroto
-Olha, eu já falei que sinto muito. Mas se você quiser discutir, é melhor você entender logo de uma vez que o que tu tá chamando de escroto agora é exatamente o que você achava romântico até outro dia. Lembra que você achou lindo quando eu larguei aquela tua amiguinha no mesmo dia em que eu te conheci? Lembra que você achou o máximo que eu te contei tudo assim, na lata?
-Mas eu achava que comigo fosse ser diferente, que fosse
-E foi porra. Foi escroto com ela e romântico contigo. Agora é escroto com você e vai ser romântico pra outra. A diferença é o ponto de vista. Escroto é o romântico dos outros.

segunda-feira

politicas publicas de quando eu dominar o mundo,



Esses governos de hoje em dia estão de sacanagem. Querer que um casamento, uma certidão de nascimento e um cadáver compense por toda a escrotidão do sistema é fazer pouco caso da famigerada política romana.
Primeiro porque a vaga idéia de que mataram Osama num tiroteio no meio do fim do mundo não é nem um pouco empolgante. Os velhos imperadores teriam a decência de capturar o cabra vivo, envenená-lo um pouquinho e pessoalmente sangrar o infeliz no meio do coliseu de Roma. Isso sim daria um pouco de significância às centenas de milhares de mortes atribuidas ao falecido. Não é a tôa que a civilização deles durou mil anos.
A falta de contrapartida ritualizada do poder exercido pelos lideres contemporâneos é das grandes ameaças à ordem estabelecida. E péssimo entretenimento. Eleições são bacanas e tal, mas são irrisórias se comparadas com as antigas cerimônias de admissão do poder dos poderosos.
E segundo, cadê meu pão?

domingo

Eu, Itararé

Não fazer as coisas por causa dos outros é um ótimo jeito de se enganar pensando que teria feito sozinho.